terça-feira, 12 de junho de 2012

No Porto de Tubarão

Enquanto eu nadava em sua pálpebra
O mar revirava orgias sagradas
Delícias revoltas q`a noite relembra
Das placas escuras às ruas chutadas

Em Cantos secretos, quase oprimidos
No Porto, longe um ruído e ressôa
O cais escurece em sons sustenidos
À nau... um sorriso pálido á prôa

Inerte entre ondas, um breve cismar
De quem a areia jogou sobre trilhos
E a brisa solene e suspensa do mar
Desfez-se cedo, deixando estribilhos

terça-feira, 24 de abril de 2012

O breve sonho de um Gadjô

Quão baixo o céu a velar-nos
Surrando as noites vinhescas
Exaltam paroles, sonhos Gitanos
Reverberam as cordas flamencas

Das tendas ao eterno arraial
Encharcam-me o lenço á cabeça
Pois, com respeito o meu punhal
Dei ao Clã que não o esqueça

Essa é sim; a noite em festim
Maria despe o esverdeado véu
Seus cílios frêmem como cetim
A arrancar os aplausos do céu

Oh khelav, khelav, tu san shukár!
Maria sorrindo, rodou o vestido
Que sua beleza e o fogo a ciscar
Encontre em mim o amor perdido

Sem que as brasas á noite polua
A meia noite foi dada ao transe
E quando amanhã se for a lua
O orvalho fará-se em romance

Fortes linhas são sinas ás mãos
Eterno retorno, presente e comum
Ao brindar-vos ó velhos irmãos
Oferto a terra, a fruta, o rum

Ganhei em honra uma pirâmide
A revestir o busto em cobre
Assim reconheci-me o nômade
Entregue à um destino nobre

E se arrocharem o alojamento
A maldição tornará-se por ali
Mas, ao pôvo em vil sofrimento
Virá em afagos a mãe Kali

A pobreza se perde à abundância
Juan traz fumo, ouro e jóias...
Vida simples e a cigana infãncia
Crescerá com as palmas em glórias


'Oh tu san shukár, tu san shukár,Rom!'

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mil Aves

Os dedos em volta do crânio,em seguida
As mil aves saltam de um penhasco
E, se cessam-me por hoje esta vida
Seria o amor, amanhã... meu asco

As três da tarde a noite perpetua
E a vida desdobra se não ao sarro
Um tanto em vão, enquanto a tua
D`outros ontens - o meu desgarro

As mil aves posam com algum respeito
Bebendo às bordas de um vale ôco
Violando-me à tudo e sem direito,
O que havia da infância foi-se há pouco