quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O Enforcado

Os joelhos sustentam o mortal
Mas,seu aeon é sem fuga
A cabeça ao mastro estatal
Como a chuva o enruga...

São dos montes,os cânticos
Seus ecos e os clamores
Elmos de sangue,românticos
E entoam-nos rumores

Ao lenço enorme,algodão
Num convite à ceia
C`o mestre ereto,imensidão
O discípulo o receia;

Ele;

“Se devo ao céu ou estado,
Ou qual a vil farsa?
Faltei ao seu... ó,pecado!
Por tais,já o descansa?

Oh,cruzai-me para baixo
A que goteje o veneno
Do mar o sangue roxo
Se esvai ao Rio Reno...

Troteei-te,ô ingratidão
A ver dos céus á Guerra
E eis que morro sem perdão
O remorso não encerra”

O Mestre;

“Se,bem o sei,ô flagelado
Os deveres são cumpridos
E és filho do Reinado,
Não te sintas oprimido

Se,foi justo como é
O céu lhe é reservado
Remoe-te a tua fé?
Ah,meu pobre enforcado

Tua estrela extraviou-te
Mas,tu passará todos...
E ao cessar da noite,
Serás maldito aos crudos”

Por rebentar a forca,
Viscerou-se entre rochas
O Abril que o enforca
Ao Templo lança tochas

O desencanto às Gerações
Não o faz,não-sagrado
És eterno as dimensões
Teu aeon, ó Enforcado!

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