sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Duas horas – o tempo ancestral

São duas horas. A hora é pouca
Transformei-me em mil palhaços
Em todas as horas e estilhaços
Gemendo cantigas em voz rouca

São duas horas. A hora é dura
Plantei-me em seus regaços
E, por deixar-me em bagaços
Me fiz pagão. E a criatura

(Tic-tac...eis-me o tempo ancestral
Insetos e maus cantos; maestral

Tac-tic...se adormeço a noite apaga
Me reconheço uma velha praga

Há há! Sempre o duro, o taciturno
Às madrugadas um importuno...)

São duas horas. E as horas,são
D`um punhado o pó de estrelas
E, se em minha´lma mantê-las
Roendo desde a mente o coração

São duas horas. Horas são muitas
Desde o sereno esse inconstante
Par de gêmeos – o amor berrante
Fez-se em folias,caretas,tantas

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