quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Diz pelos lábios do rabo

Sua mãe diz pelos lábios do rabo
Estou exumando-lhe as petulâncias
Um aos cães e um ao diabo...
É a bebedeira em ressonância

Ora,que do ócio faz o bom uso,
Que oportuna é a vã bondade
Se o meu favor for seu abuso
E a sua soberba e a vaidade

Cada rabo tece o que convém
Agrega o que vos torna certo
Do interesse o querer é refém
E esse refém é um cão esperto

Sua mãe diz pelos lábios do rabo
De tão regozijadas as ganâncias
Um aos cães e um ao diabo...
E vou escrachando-lhe as ânsias

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A hora da arruaça



Ô campos meus,desfloridos
Pois aqui vamos atrevidos
Digam a hora da arruaça
Em que eu perdi a graça

Pois é nos brandos rostos
Que os males nos é justo
É o que a tudo desfloresce
É a febre que ensurdece

Nem o sol que nos bastava
Trazia algum novo enredo
Mas a canção qu`eu suspirava
Era vulgar qual velho credo;

“Toda a vida nos cavou
Perdi-me a caminhada
O coração que bravejou
Foi partido a martelada

É a causa do murmúrio
É a relva envenenada
Um púlpito inglório
Uma vida abandonada”

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os mais belos pecados

Livre dos mais belos pecados
Que, vicejavam-me exuberantes
Dos beijos em vão, vingados
Pelo ruir dos bons instantes

Sou sua mão contra seu rosto
Esse estalo o mais perfeito
E de fluir adentro o peito
Há um futuro então composto

É sua paixão em artefatos;
A falsa fulga em evidência
Ao descobrir-se em demência
Recordarás seus desacatos

Livre dos mais tôlos pecados
E á espreita da sentença
Ou, dos venenos delicados
E das armas à vingança

Sou os seus sábados sombrios
Ah! Que carente a estadia
Ou a ansiedade mais vadia
Que culmina aos pés vazios

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A boca murcha a beira-mar

Vem sem realce
A que o amor descalce
Vem com pressa!

Bem te alcance
A que o amor descanse
E sem compressa

Ah, um dia este ser porco
Trouxe-me à guia num louco
Eu só cismava descer ao prado
A ver do amor subir-me escaldo

Sim, um dia o amor airado
Rebateu-me a qualquer lado
Á sua guia tombei d´um soco
Qu`eu levantara sem um troco

Vá sem atar
A que o amor levantar
Aqui o cessa!

Vá sem tantos
Senões ou pôrquantos
Vá com pressa!

Se àquele dia há de a ver
E um ébrio tonto não houver
Hm.. a quem tirar mais bocejos?
Uh! Quem n`alma teve aleijos

À quela hora há de se cozir
Na tua face o mal sorrir
Só tendo o nada a esperar
C`oa boca murcha a beira-mar

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Nos espirais do silêncio

Vejo os vultos troteando o bom senso
Somente a saliva não o pode mascar
Nos espirais do silêncio, no incenso
O cujo se tece em salvia e almiscar

Do verão o quanto bom aos outros
Faz-me falta a falta a esse ajuste
Por ti não dormir em desencontros
Que sua furia não mais me assuste

A quanto vagam,suspiros supremos
Se nos valer por um calor decente
O que o céu permite aos meus ermos
O que já foi num passado recente

Duas horas – o tempo ancestral

São duas horas. A hora é pouca
Transformei-me em mil palhaços
Em todas as horas e estilhaços
Gemendo cantigas em voz rouca

São duas horas. A hora é dura
Plantei-me em seus regaços
E, por deixar-me em bagaços
Me fiz pagão. E a criatura

(Tic-tac...eis-me o tempo ancestral
Insetos e maus cantos; maestral

Tac-tic...se adormeço a noite apaga
Me reconheço uma velha praga

Há há! Sempre o duro, o taciturno
Às madrugadas um importuno...)

São duas horas. E as horas,são
D`um punhado o pó de estrelas
E, se em minha´lma mantê-las
Roendo desde a mente o coração

São duas horas. Horas são muitas
Desde o sereno esse inconstante
Par de gêmeos – o amor berrante
Fez-se em folias,caretas,tantas