domingo, 30 de outubro de 2011

A canção do amor rupestre

E se, você vir sem receio,heim?!
E se tornar pelo meu seio
Que não há algo ou alguém

Dou-lhe fogo e fumo silvestre
Nosso clamor – amor rupestre
Sem as vãs bocejações

E se, da vida o recreio,heim?!
E se o rugir nos for alheio
Que afora a flora vai e vem

Acomodar-te em alpes selvagens
Ou, aos desertos as mil vertigens
Sem roer os corações

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O Enforcado

Os joelhos sustentam o mortal
Mas,seu aeon é sem fuga
A cabeça ao mastro estatal
Como a chuva o enruga...

São dos montes,os cânticos
Seus ecos e os clamores
Elmos de sangue,românticos
E entoam-nos rumores

Ao lenço enorme,algodão
Num convite à ceia
C`o mestre ereto,imensidão
O discípulo o receia;

Ele;

“Se devo ao céu ou estado,
Ou qual a vil farsa?
Faltei ao seu... ó,pecado!
Por tais,já o descansa?

Oh,cruzai-me para baixo
A que goteje o veneno
Do mar o sangue roxo
Se esvai ao Rio Reno...

Troteei-te,ô ingratidão
A ver dos céus á Guerra
E eis que morro sem perdão
O remorso não encerra”

O Mestre;

“Se,bem o sei,ô flagelado
Os deveres são cumpridos
E és filho do Reinado,
Não te sintas oprimido

Se,foi justo como é
O céu lhe é reservado
Remoe-te a tua fé?
Ah,meu pobre enforcado

Tua estrela extraviou-te
Mas,tu passará todos...
E ao cessar da noite,
Serás maldito aos crudos”

Por rebentar a forca,
Viscerou-se entre rochas
O Abril que o enforca
Ao Templo lança tochas

O desencanto às Gerações
Não o faz,não-sagrado
És eterno as dimensões
Teu aeon, ó Enforcado!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Teus dentes, maus ares

Mais que estes dentes irregulares
Irregulares os lares sem entes
Descontente, fizeste maus ares
Pois, sentes tais ares contentes

Mais que, bateste teus dentes
Tendes a tê-los em azares
Atento a tudo e não sentes
Rogaste, teus entes, maus ares

segunda-feira, 7 de março de 2011

Panacéia

Fundemos erros à tal afeição
Um ano e, gazeamos a esmo
Pois não vejo e eu não cismo
Avultados à alheia perdição

Acabado numa chula comédia
O sonhar que, tanto dantesco
A morte já não nos era o risco
Vibrava o sol que não acendia

Panacéia – oh,tome-a por ti
Reembolsarei os dias fugidos
E se achas que foram mentidos
Panacéia – à dor que rebati

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Diz pelos lábios do rabo

Sua mãe diz pelos lábios do rabo
Estou exumando-lhe as petulâncias
Um aos cães e um ao diabo...
É a bebedeira em ressonância

Ora,que do ócio faz o bom uso,
Que oportuna é a vã bondade
Se o meu favor for seu abuso
E a sua soberba e a vaidade

Cada rabo tece o que convém
Agrega o que vos torna certo
Do interesse o querer é refém
E esse refém é um cão esperto

Sua mãe diz pelos lábios do rabo
De tão regozijadas as ganâncias
Um aos cães e um ao diabo...
E vou escrachando-lhe as ânsias

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A hora da arruaça



Ô campos meus,desfloridos
Pois aqui vamos atrevidos
Digam a hora da arruaça
Em que eu perdi a graça

Pois é nos brandos rostos
Que os males nos é justo
É o que a tudo desfloresce
É a febre que ensurdece

Nem o sol que nos bastava
Trazia algum novo enredo
Mas a canção qu`eu suspirava
Era vulgar qual velho credo;

“Toda a vida nos cavou
Perdi-me a caminhada
O coração que bravejou
Foi partido a martelada

É a causa do murmúrio
É a relva envenenada
Um púlpito inglório
Uma vida abandonada”

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os mais belos pecados

Livre dos mais belos pecados
Que, vicejavam-me exuberantes
Dos beijos em vão, vingados
Pelo ruir dos bons instantes

Sou sua mão contra seu rosto
Esse estalo o mais perfeito
E de fluir adentro o peito
Há um futuro então composto

É sua paixão em artefatos;
A falsa fulga em evidência
Ao descobrir-se em demência
Recordarás seus desacatos

Livre dos mais tôlos pecados
E á espreita da sentença
Ou, dos venenos delicados
E das armas à vingança

Sou os seus sábados sombrios
Ah! Que carente a estadia
Ou a ansiedade mais vadia
Que culmina aos pés vazios

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A boca murcha a beira-mar

Vem sem realce
A que o amor descalce
Vem com pressa!

Bem te alcance
A que o amor descanse
E sem compressa

Ah, um dia este ser porco
Trouxe-me à guia num louco
Eu só cismava descer ao prado
A ver do amor subir-me escaldo

Sim, um dia o amor airado
Rebateu-me a qualquer lado
Á sua guia tombei d´um soco
Qu`eu levantara sem um troco

Vá sem atar
A que o amor levantar
Aqui o cessa!

Vá sem tantos
Senões ou pôrquantos
Vá com pressa!

Se àquele dia há de a ver
E um ébrio tonto não houver
Hm.. a quem tirar mais bocejos?
Uh! Quem n`alma teve aleijos

À quela hora há de se cozir
Na tua face o mal sorrir
Só tendo o nada a esperar
C`oa boca murcha a beira-mar

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Nos espirais do silêncio

Vejo os vultos troteando o bom senso
Somente a saliva não o pode mascar
Nos espirais do silêncio, no incenso
O cujo se tece em salvia e almiscar

Do verão o quanto bom aos outros
Faz-me falta a falta a esse ajuste
Por ti não dormir em desencontros
Que sua furia não mais me assuste

A quanto vagam,suspiros supremos
Se nos valer por um calor decente
O que o céu permite aos meus ermos
O que já foi num passado recente

Duas horas – o tempo ancestral

São duas horas. A hora é pouca
Transformei-me em mil palhaços
Em todas as horas e estilhaços
Gemendo cantigas em voz rouca

São duas horas. A hora é dura
Plantei-me em seus regaços
E, por deixar-me em bagaços
Me fiz pagão. E a criatura

(Tic-tac...eis-me o tempo ancestral
Insetos e maus cantos; maestral

Tac-tic...se adormeço a noite apaga
Me reconheço uma velha praga

Há há! Sempre o duro, o taciturno
Às madrugadas um importuno...)

São duas horas. E as horas,são
D`um punhado o pó de estrelas
E, se em minha´lma mantê-las
Roendo desde a mente o coração

São duas horas. Horas são muitas
Desde o sereno esse inconstante
Par de gêmeos – o amor berrante
Fez-se em folias,caretas,tantas

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma Ode ao tempo pros Vilões

Desde que a vida não nos seja
A mão contrária e mais distante
Do fogo raro que a alma almeja
A febre arrocha a boca errante

Quando socamos astros desatinos
E suportamos as guias ás frentes
Mas a migalha dos pães cretinos
Mendigamos qual amor dos crentes

É injusto? Ora, haja a confiança
Debruçando os mártires do medo
Temos pistolas e eles,a aliança
Qual delas, tomarás mais cedo?

Desde que a vida nos têm sido
A piada sem graça dos algozes
O amor , um velho parvo,despido
Por mortes cruas e não velozes

..................................

Agora, que as mãos atam tochas
Os olhos faíscam amores cruéis
A nau mau emborca-se às rochas
Exala a carniça que há no convès

De febre as mãos acima, num corte
Tomam punhos exaltados sem pudor
O Vilão empunha a clava e forte
O golpe desfere-se ao seu credor

O solo é consumido; e está serrado
Dado ao Nero, pois flameja a beira
De um morro em pedra escancarado
Vigílias de aves negras á pedreira

Mas,de pé, ô rei dos mil corações
Destroce os mil virgos com proeza
E suas amantes de vãs projeções
Serão os escárnios da sua avareza

E viverás de vontades e soberbices
Com o pouco da sorte bem querida
A paixão de Adão,Cesar e Ulisses
E a morte em vida e ressentida

A pólvora urgente brilha o trigo
Deitam-se as sombras,bom festim
Desse elemento se fará o inimigo
Tragando a seiva acre de Caim

Que rumem os corações aos ventos
A fúria já faz-se em outros milhões
E estejam crudos,ébrios e atentos
Transformando os tempos pros Vilões

Uma estrela que expira

É uma estrela que expira sem ruídos
E a má fé nos consome á falange
Mesquices percorrem –me os ouvidos
As vontades são brandas, tão longe

Desatemos os nós com mais ciência
Da vida! Desdobra-se ao passado
Quando vagamos por lá, a indecência
Corroeu-nos cada dia um bocado

E o tempo nos esculpe a carapaça
Desse amor falido – que privilégio!
É pro bem desforme da sua raça
Que custo mui alto ao meu relógio

É uma estrela que expira sem ruídos
A vida torpe-se em segredos iníquos
O que nos fez, nos dias mais doídos
Ambiciosos anseios tão longínquos

sábado, 8 de janeiro de 2011

Na hostil vertigem

A nicotina tece espirais ao ar
Ao horizonte que treme vulgar
A hostil vertigem

É a tempestade não aplausível
E torna a carne tão insensível
Pois,sem origem

Nos céus,alma em turbulência
Num tonto vôo com decência
Uma vã viagem

O manto ruivo agora encurva
Se torpe em raios,traz chuva
Pela estiagem

E por pousar,a alma escalda
Que,lá de cima o alto a salda
Com traquinagem

Logo o sol acende sem pavil
Cala a noite tão parva,viril
Mas,nunca virgem

A nicotina cessa o mais vulgar
O horizonte se resseca ao ar
Na hostil vertigem