sexta-feira, 23 de abril de 2010

Num lago claustro

D´uma antiga ponte se atira
- sobre imenso lago a dar voltas
Meu tempo, o poço que expira
Velha lamúria e suas lorotas

Alguma tarde ali, fria e peja
- tarde invernal, eu caminhante
O lago claustro só lacrimeja
Ás confissões d´outro amante

Colapsos d´amor

Tão cedo, quando o espírito toma
Um forte trago que o faz afogado
A paixão entorpece em coma
E c´o corpo ao chão estirado

As pupilas rutilam, pleno auge
D´um colapso de euforia intensa
E que faz outro seio tão longe
Sentir a sua dor nunca suspensa

Glândulas dos olhos que reviram
A expelir o que pouco se guarda
E em seus sutis gotejos deliram
Lacrimais que lavam o nada

Sempre cedo, quando o espírito
Toma um trago e faz-se afogado
Num colapso d´amor infinito
C´o peito ao chão desdenhado