sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lúbrica guerra

Sempre mordaz nossa aurora
E sua brisa evade do ventre
Num barril inchado em pólvora
Queimando-lhe as coxas, entre

És rendida; eis a guerra!
No túnel vadio em seu trilho
Lá longe, no topo da serra
Hei de puxar-lhe o gatilho

A carne exala velhos perfumes
Não mais ao léu nem a relva
És carniçaria; ainda que a exume
Seu corpo a pátria não salva

Um órgão quente e inciso
E danado a tanto castigo
Aqui, no colo úmido e liso
“A guerra acabou”; vos digo!

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