sexta-feira, 24 de julho de 2009

Longo Adejo

Desde infante dei-me por todo;
Erguido num longo adejo
Caí por vezes e, contudo
No céu rubro, ainda velejo

E pousei em extensos vazios
Caí sobre poços sórdidos
Em invernos esplendidos
Enchi-me de ira e calafrios

Desde infante fiz-me errado
Penosos amores do breu
O mel pingava pecado
Num sorriso tão cheio de feu

Esvaziei-me em pôsos extensos
Quebrei as costelas da fé
E ao nada caminhei á pé...
D´outros vôos fui suspenso

Desde infante dei-me por todo
Erguido num longo adejo
Toquei astros em outro mundo
Mas esse céu ainda o beijo

Um comentário:

luizsimbolista disse...

As vezes a gente cai decerto por vezes centenas, mas para reerguer-se no findar da estação ou fase e relembrar do que tínhamos que passar ou viver, acho que é sina de todos os poetas. Muito belo e inspirante teu poema. Um forte abraço!