sábado, 25 de julho de 2009

É fascinação

É fascinação – se eu bem reconheço
Fragmento delírios, então...
Sobre eles padeço

É alucinação – e assim eu amanheço
Preso a sonhos em vão...
Eu não a esqueço

É exploração – coloco-a ao avesso
Víbora do velho coração...
Devora-o ileso!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Longo Adejo

Desde infante dei-me por todo;
Erguido num longo adejo
Caí por vezes e, contudo
No céu rubro, ainda velejo

E pousei em extensos vazios
Caí sobre poços sórdidos
Em invernos esplendidos
Enchi-me de ira e calafrios

Desde infante fiz-me errado
Penosos amores do breu
O mel pingava pecado
Num sorriso tão cheio de feu

Esvaziei-me em pôsos extensos
Quebrei as costelas da fé
E ao nada caminhei á pé...
D´outros vôos fui suspenso

Desde infante dei-me por todo
Erguido num longo adejo
Toquei astros em outro mundo
Mas esse céu ainda o beijo

terça-feira, 21 de julho de 2009

Rósea Couve-flor

Ah minha rósea couve-flor
Exale mais veneno por vezes
E eu não morro entre esses
Ladrões de cheiro e sabor

Minha rósea couve-flor...
Deixe teu hálito a perfurmar
E exalar-se-ia ao ar
Junto ao meu bafo de calor

Mas, minha rósea couve-flor
Não deixe-me à estiagem
Sonhando por uma miragem
Faça lânguido teu senhor

Ah minha rósea couve-flor...