terça-feira, 23 de junho de 2009

Mors

E vem assim e de repente
Nunca atrasada, senhora!
É tão voraz e eminente
A única a não ter hora

E vai assim; és berrante
Em qualquer esquina, escora
Nunca escolhe por semblante
Vem, amiga e vá embora

Vil drama! Choros e abraços
Véu no chão, pés descalços
A outra estrela a subir

Um suspiro e gritos falsos
E quais teus outros laços
Qu´a noite rubra irá cobrir

Soneto chuvoso de agosto

Chuva lava manhã de agosto
Acima deus baba desgosto
Frême a bruma- verdes pinhais
Uma a uma – breu dos ais

O tal casaco cai-me escuro
Na bolsa evadia largo furo
Paixão que embebe só desejo
Pois, outrora era cortejo

Movimentam os lábios meigos
Ligeiros, rastejam sempre leigos
E, afugentam-me à barguilha

Chuvisca´inda; frio agosto
Na poça: nau de papel dá gosto
Um nome: “Nau-chuva”, na quilha

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Noite de junho

É sério que as noites de junho
São de festins e alegorias mágicas
Enquanto mordia,eu suponho
Suspiravam nossas bocas elásticas

E tínhamos uma fina garôa
A nos cobrir qual um doce orvalho
E qual a melodia sua voz entôa
No peito eu gravo e a empalho

Pois, o cachecol se fez testemunho
Dessa alquimia um tanto estrábica
Ah, e é sério que as noites de junho
São de festins e alegorias mágicas

Os bicos mostravam-se curiosos
Àquela plena e tal paixão jovial
Como a libído em tons formosos
Pintou-nos um outono celestial

Fui!...eu tinha os lábios linchados
Um coágulo se desfez à groselha
O monte de versos guardados
Nossos lábios num jogo da velha

Devolve o beijo e faz-me um sonho
E eu caminho às guias estáticas
Mas,é sério que as noites de junho
São de festins e alegorias mágicas

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um doce leviatã

Tenho os punhos arregaçados
Meu rosto é um deserto cru
Sonhos frescos, outros frustrados
E a noite em volta faz fru-fru

A sós, por mim, num sorriso leviano
Mas contando os dias sorrateiros
Até que me cai um outro ano
E vem a mim os sonhos solteiros

Dentro de mim eu sou um lêvedo
A fermentar ilusões tão distantes
Que destrincho-as ainda sem medo
Á existência prolonga instantes

Dias passados! Eu, doce leviatã
O peso de outros dias mais hostis
No mundo deito pois é um divã
A nebulosa poluída e eu feliz