segunda-feira, 3 de agosto de 2009

As mãos do trabalho

Aqui, insólito às apoteoses
Descrendo as velhas quimeras
- as dos romances e poses
À espera das ordens severas

Céus! Minhas mãos tremem
Mas qual trabalho tem glória?
Mesmo as putas pulsam sêmen
E as mãos calejam escória

Aqui, chegado da hipnose
E negando as linhas sinceras
Calos! Uns,quase necróse
Ao vento; cinco primaveras

Ai! As minhas veias saltam
Maldigo os ossos do ofício
Pois, as mãos não se salvam
Ás custas do vil sacrifício!

Em rumo ao tenso futuro
Das coroas tão esperadas
Num fio estreito e inseguro
E coas mãos quase atadas

sábado, 25 de julho de 2009

É fascinação

É fascinação – se eu bem reconheço
Fragmento delírios, então...
Sobre eles padeço

É alucinação – e assim eu amanheço
Preso a sonhos em vão...
Eu não a esqueço

É exploração – coloco-a ao avesso
Víbora do velho coração...
Devora-o ileso!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Longo Adejo

Desde infante dei-me por todo;
Erguido num longo adejo
Caí por vezes e, contudo
No céu rubro, ainda velejo

E pousei em extensos vazios
Caí sobre poços sórdidos
Em invernos esplendidos
Enchi-me de ira e calafrios

Desde infante fiz-me errado
Penosos amores do breu
O mel pingava pecado
Num sorriso tão cheio de feu

Esvaziei-me em pôsos extensos
Quebrei as costelas da fé
E ao nada caminhei á pé...
D´outros vôos fui suspenso

Desde infante dei-me por todo
Erguido num longo adejo
Toquei astros em outro mundo
Mas esse céu ainda o beijo

terça-feira, 21 de julho de 2009

Rósea Couve-flor

Ah minha rósea couve-flor
Exale mais veneno por vezes
E eu não morro entre esses
Ladrões de cheiro e sabor

Minha rósea couve-flor...
Deixe teu hálito a perfurmar
E exalar-se-ia ao ar
Junto ao meu bafo de calor

Mas, minha rósea couve-flor
Não deixe-me à estiagem
Sonhando por uma miragem
Faça lânguido teu senhor

Ah minha rósea couve-flor...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Mors

E vem assim e de repente
Nunca atrasada, senhora!
É tão voraz e eminente
A única a não ter hora

E vai assim; és berrante
Em qualquer esquina, escora
Nunca escolhe por semblante
Vem, amiga e vá embora

Vil drama! Choros e abraços
Véu no chão, pés descalços
A outra estrela a subir

Um suspiro e gritos falsos
E quais teus outros laços
Qu´a noite rubra irá cobrir

Soneto chuvoso de agosto

Chuva lava manhã de agosto
Acima deus baba desgosto
Frême a bruma- verdes pinhais
Uma a uma – breu dos ais

O tal casaco cai-me escuro
Na bolsa evadia largo furo
Paixão que embebe só desejo
Pois, outrora era cortejo

Movimentam os lábios meigos
Ligeiros, rastejam sempre leigos
E, afugentam-me à barguilha

Chuvisca´inda; frio agosto
Na poça: nau de papel dá gosto
Um nome: “Nau-chuva”, na quilha

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Noite de junho

É sério que as noites de junho
São de festins e alegorias mágicas
Enquanto mordia,eu suponho
Suspiravam nossas bocas elásticas

E tínhamos uma fina garôa
A nos cobrir qual um doce orvalho
E qual a melodia sua voz entôa
No peito eu gravo e a empalho

Pois, o cachecol se fez testemunho
Dessa alquimia um tanto estrábica
Ah, e é sério que as noites de junho
São de festins e alegorias mágicas

Os bicos mostravam-se curiosos
Àquela plena e tal paixão jovial
Como a libído em tons formosos
Pintou-nos um outono celestial

Fui!...eu tinha os lábios linchados
Um coágulo se desfez à groselha
O monte de versos guardados
Nossos lábios num jogo da velha

Devolve o beijo e faz-me um sonho
E eu caminho às guias estáticas
Mas,é sério que as noites de junho
São de festins e alegorias mágicas

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um doce leviatã

Tenho os punhos arregaçados
Meu rosto é um deserto cru
Sonhos frescos, outros frustrados
E a noite em volta faz fru-fru

A sós, por mim, num sorriso leviano
Mas contando os dias sorrateiros
Até que me cai um outro ano
E vem a mim os sonhos solteiros

Dentro de mim eu sou um lêvedo
A fermentar ilusões tão distantes
Que destrincho-as ainda sem medo
Á existência prolonga instantes

Dias passados! Eu, doce leviatã
O peso de outros dias mais hostis
No mundo deito pois é um divã
A nebulosa poluída e eu feliz

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Acomodação além

Tão cômodo esse bom ócio
Tampouco torpores me infectam
O nada é um justo negócio
No tédio,nas veias que espetam
(ou vive-versa...)

Tão cômodo é ficar a sós
Tão puro é estar com ninguém
E ecoando no silêncio,uma voz
Que se evadia além do além
( é só o que resta!)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Bocejei...suspirando

Co`a bunda nua à noite crua

Um céu sem astros, sem mais

A mente inunda só flutúa...

Às putas castas dos cais!

E co`as as mãos agora,vazias

Eu ia, observando o jamais

Esperando à esmo , noites frias

Bocejei,suspirando meus ai,ais

domingo, 3 de maio de 2009

Profanações à Psiquê

Hoje profano à ti, ó Psiquê

Pois foste cruel e tão imprudente

A mim, que não sei porque

Roguei-te desejos,fui confiante


Eis que,vis sonhos tombam

Por entre noites que agonizam

Os anjos mais puros zombam...

Minha paixão...ô,satirizam


Só passo o tempo a lamentar,

Profanar e maldizer tua intenção

Amargamente mentia ao falar

Que a mim era certo tal coração


E ela...ah, qual culpa a cabe?

Se nenhuma nobreza prometeu

A harmonia que havia, ela sabe

Que hoje no seio louco adormeceu


Mas hoje...sim,somente hoje

Pretendo desvairar minha mente

Da sua memória manter-me longe

E da dor que minha´lma sente

É fascinação

É fascinação – se eu bem reconheço

Fragmento delírios, então...

Sobre eles padeço


É alucinação – e assim eu amanheço

Preso a sonhos em vão...

Eu não a esqueço


É exploração – coloco-a ao avesso

Víbora do velho coração...

Devora-o ileso!