quinta-feira, 26 de junho de 2008

O santo momento

Por aguardar o santo momento
Roer-me até a carne minunciosa
E aguardar súbito, no descontento
Tão ímprovável, cada hora ansiosa

Que não seja nessa breve existência
Ao que importa, frustrar-me tanto?
Dê-me mínimos sinais de existência
E pouparei-te de ouvir os meus prantos

Já não posso suportar os delírios
Que causam más comoções
Nesses sonhos ignóbeis e, sérios
Trato-as como as alucinações

Nascera dos ventres do vento
Virá nas carruagens do nada
Sim, virá num santo momento
Á aposentar-me a velha espada

Um comentário:

Samantha disse...

Estou impressionada. Sua poesia tem beleza e ao mesmo tempo tem o pessimismo coerente dos românticos... Vejo Byron, Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo, Rimbaud, todos vibrando por você.
Abraços
Samantha Medina