quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Vida Veraneia

Vida Veraneia
Fez-se em tudo, insolação
Via além d´areia
O mar confuso em proporção

As ruínas rodeando as Cataias
Trilhos rumam ao lugar nenhum
Os ventos tinham as praias
E eu por mim, em bem comum

Não via a noite ascender postes
Mas um verão calar sem timidez
Patotas, marchas, hinos aos montes
E a lua fria se dava à vez

Vida Veraneia
Te fiz uma canção;
"Viu-me em tua lareira,
A assobiar a solidão?"

terça-feira, 12 de junho de 2012

No Porto de Tubarão

Enquanto eu nadava em sua pálpebra
O mar revirava orgias sagradas
Delícias revoltas q`a noite relembra
Das placas escuras às ruas chutadas

Em Cantos secretos, quase oprimidos
No Porto, longe um ruído e ressôa
O cais escurece em sons sustenidos
À nau... um sorriso pálido á prôa

Inerte entre ondas, um breve cismar
De quem a areia jogou sobre trilhos
E a brisa solene e suspensa do mar
Desfez-se cedo, deixando estribilhos

terça-feira, 24 de abril de 2012

O breve sonho de um Gadjô

Quão baixo o céu a velar-nos
Surrando as noites vinhescas
Exaltam paroles, sonhos Gitanos
Reverberam as cordas flamencas

Das tendas ao eterno arraial
Encharcam-me o lenço á cabeça
Pois, com respeito o meu punhal
Dei ao Clã que não o esqueça

Essa é sim; a noite em festim
Maria despe o esverdeado véu
Seus cílios frêmem como cetim
A arrancar os aplausos do céu

Oh khelav, khelav, tu san shukár!
Maria sorrindo, rodou o vestido
Que sua beleza e o fogo a ciscar
Encontre em mim o amor perdido

Sem que as brasas á noite polua
A meia noite foi dada ao transe
E quando amanhã se for a lua
O orvalho fará-se em romance

Fortes linhas são sinas ás mãos
Eterno retorno, presente e comum
Ao brindar-vos ó velhos irmãos
Oferto a terra, a fruta, o rum

Ganhei em honra uma pirâmide
A revestir o busto em cobre
Assim reconheci-me o nômade
Entregue à um destino nobre

E se arrocharem o alojamento
A maldição tornará-se por ali
Mas, ao pôvo em vil sofrimento
Virá em afagos a mãe Kali

A pobreza se perde à abundância
Juan traz fumo, ouro e jóias...
Vida simples e a cigana infãncia
Crescerá com as palmas em glórias


'Oh tu san shukár, tu san shukár,Rom!'

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mil Aves

Os dedos em volta do crânio,em seguida
As mil aves saltam de um penhasco
E, se cessam-me por hoje esta vida
Seria o amor, amanhã... meu asco

As três da tarde a noite perpetua
E a vida desdobra se não ao sarro
Um tanto em vão, enquanto a tua
D`outros ontens - o meu desgarro

As mil aves posam com algum respeito
Bebendo às bordas de um vale ôco
Violando-me à tudo e sem direito,
O que havia da infância foi-se há pouco

domingo, 30 de outubro de 2011

A canção do amor rupestre

E se, você vir sem receio,heim?!
E se tornar pelo meu seio
Que não há algo ou alguém

Dou-lhe fogo e fumo silvestre
Nosso clamor – amor rupestre
Sem as vãs bocejações

E se, da vida o recreio,heim?!
E se o rugir nos for alheio
Que afora a flora vai e vem

Acomodar-te em alpes selvagens
Ou, aos desertos as mil vertigens
Sem roer os corações

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O Enforcado

Os joelhos sustentam o mortal
Mas,seu aeon é sem fuga
A cabeça ao mastro estatal
Como a chuva o enruga...

São dos montes,os cânticos
Seus ecos e os clamores
Elmos de sangue,românticos
E entoam-nos rumores

Ao lenço enorme,algodão
Num convite à ceia
C`o mestre ereto,imensidão
O discípulo o receia;

Ele;

“Se devo ao céu ou estado,
Ou qual a vil farsa?
Faltei ao seu... ó,pecado!
Por tais,já o descansa?

Oh,cruzai-me para baixo
A que goteje o veneno
Do mar o sangue roxo
Se esvai ao Rio Reno...

Troteei-te,ô ingratidão
A ver dos céus á Guerra
E eis que morro sem perdão
O remorso não encerra”

O Mestre;

“Se,bem o sei,ô flagelado
Os deveres são cumpridos
E és filho do Reinado,
Não te sintas oprimido

Se,foi justo como é
O céu lhe é reservado
Remoe-te a tua fé?
Ah,meu pobre enforcado

Tua estrela extraviou-te
Mas,tu passará todos...
E ao cessar da noite,
Serás maldito aos crudos”

Por rebentar a forca,
Viscerou-se entre rochas
O Abril que o enforca
Ao Templo lança tochas

O desencanto às Gerações
Não o faz,não-sagrado
És eterno as dimensões
Teu aeon, ó Enforcado!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Teus dentes, maus ares

Mais que estes dentes irregulares
Irregulares os lares sem entes
Descontente, fizeste maus ares
Pois, sentes tais ares contentes

Mais que, bateste teus dentes
Tendes a tê-los em azares
Atento a tudo e não sentes
Rogaste, teus entes, maus ares

segunda-feira, 7 de março de 2011

Panacéia

Fundemos erros à tal afeição
Um ano e, gazeamos a esmo
Pois não vejo e eu não cismo
Avultados à alheia perdição

Acabado numa chula comédia
O sonhar que, tanto dantesco
A morte já não nos era o risco
Vibrava o sol que não acendia

Panacéia – oh,tome-a por ti
Reembolsarei os dias fugidos
E se achas que foram mentidos
Panacéia – à dor que rebati

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Diz pelos lábios do rabo

Sua mãe diz pelos lábios do rabo
Estou exumando-lhe as petulâncias
Um aos cães e um ao diabo...
É a bebedeira em ressonância

Ora,que do ócio faz o bom uso,
Que oportuna é a vã bondade
Se o meu favor for seu abuso
E a sua soberba e a vaidade

Cada rabo tece o que convém
Agrega o que vos torna certo
Do interesse o querer é refém
E esse refém é um cão esperto

Sua mãe diz pelos lábios do rabo
De tão regozijadas as ganâncias
Um aos cães e um ao diabo...
E vou escrachando-lhe as ânsias

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A hora da arruaça



Ô campos meus,desfloridos
Pois aqui vamos atrevidos
Digam a hora da arruaça
Em que eu perdi a graça

Pois é nos brandos rostos
Que os males nos é justo
É o que a tudo desfloresce
É a febre que ensurdece

Nem o sol que nos bastava
Trazia algum novo enredo
Mas a canção qu`eu suspirava
Era vulgar qual velho credo;

“Toda a vida nos cavou
Perdi-me a caminhada
O coração que bravejou
Foi partido a martelada

É a causa do murmúrio
É a relva envenenada
Um púlpito inglório
Uma vida abandonada”